segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parabéns, Pessoa!


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso,

tenho em mim
todos os sonhos do mundo.

Fernando Pessoa (n. 13 de Junho de 1888)

sábado, 11 de junho de 2011

Aos Poetas

No útimo curso de Autonomia Afectiva, este poema de Miguel Torga foi escolhido e deliciosamente declamado pela nossa voluntária Conceição Rangel, na sua palestra sobre a importância da Auto-Estima. Aqui o reproduzimos para que todos o possamos saborear. 

Aos Poetas

(Somos nós
As humanas cigarras.
Nós,
Desde o tempo de Esopo conhecidos...
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.


Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos,
A passar... )


Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras.
Asas que em certas horas
Palpitam.
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura.
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.


Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz.
Vinho que não é meu,
Mas sim do mosto que a beleza traz.

E vos digo e conjuro que canteis.
Que sejais menestréis
Duma gesta de amor universal.
Duma epopeia que não tenha reis,
Mas homens de tamanho natural.


Homens de toda a terra sem fronteiras.
De todos os feitios e maneiras,
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele.
(Crias de Adão e Eva verdadeiras.
Homens da torre de Babel. )
Homens do dia-a-dia
Que levantem paredes de ilusão.
Homens de pés no chão,
Que se calcem de sonho e de poesia
Pela graça infantil da vossa mão.
 
Miguel Torga, in 'Odes'

sexta-feira, 10 de junho de 2011

10 de Junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

431 anos sobre o dia da morte de Camões, a sua poesia ainda nos oferece pérolas de reflexão, encanto e sabedoria. Saiba Portugal continuar a inspirar poetas e a desenvolver os belíssimos dons das suas gentes.

Luis Vaz de Camões, retratado por José Malhoa

Verdade, Amor, Razão, Merecimento
Qualquer alma farão segura e forte,
Porém Fortuna, Caso, Tempo e Sorte
Têm do confuso mundo o regimento.

Efeitos mil revolve o pensamento,
E não sabe a que causa se reporte,
Mas sabe que o que é mais que vida e morte,
Que não o alcança o humano entendimento.

Doutos varões darão razões subidas,
Mas são experiências mais provadas
E por isso é melhor ter muito visto.

Cousas há i que passam sem ser cridas
E cousas cridas há, sem ser passadas;
Mas o melhor de tudo é crer em Cristo.


Luis Vaz de Camões

O Professor como Mestre


Para o nosso querido Abel Magalhães, presidente do T.E. Portugal, e hoje aniversariante, palavras de outro muito especial inspirador. Muitos Parabéns, Abel! :)) 

"[...]
A sua contribuição [do professor] terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala [...].

Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo."

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Testemunho: A Autonomia Afectiva Constrói-se...

Tal como uma casa precisa de alicerces (07 a 09 de Janeiro 2011); mão-de-obra que transforme as matérias-primas em produto aplicável e saiba suavemente revestir a estrutura, que conjuntamente com a garra e audácia de cada um permitiram inerentemente vencer as intempéries (sessões de acompanhamento) e activar a coragem para passar à fase de acabamentos, sem, em contínuo, descorar o desejo de evitar a ruína comungando para isso da manutenção dessa edificação (os dias que nascem e renascem até à morte - a cada um uma nova oportunidade).

Esta casa tem os afectos como recheio, os sentidos como portas e janelas e renuncia a telhas, abdica de sótão. O céu é o limite, pois o coração imana aromas e sabores demasiado preciosos e deliciosos para ficarem a ela confinados, a sua partilha é descomedidamente gratificante. No jardim cultiva-se a sabedoria, entre ervas daninhas e árvores, que na Primavera sempre florescem para dar fruto.

Eu, tu, nós, somos os únicos jardineiros, os inéditos cozinheiros, os verdadeiros governantes, os reais donos desta casa.

Agradeço aos meus vizinhos (Ana; Margarida; Marieta; Raquel N. e Raquel S.; Sónia, Teresa e Vítor) e aos mestres (em particular à Manela e Rosa) que comigo trabalharam nesta obra e estão certamente disponíveis para me ajudarem nos consertos, reformas e e/ou restauro.

Um bem-haja.

Até sempre!
Até breve.
Martinha
Participante na edição de Janeiro do curso de Autonomia Afectiva.

Texto retirado de do blogue Partilho Contigo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Fonte da Felicidade Reside Dentro de Nós


O hábito de me recolher a mim mesmo acabou por me tornar imune aos males que me acossam, e quase me fez perder a memória deles. Desse modo, aprendi com base na minha própria experiência que a fonte da felicidade reside dentro de nós e que não está no poder dos homens fazer com que fique realmente desgostosa uma pessoa determinada a ser feliz. Por quatro ou cinco anos desfrutei regularmente de alegrias interiores que almas gentis e afectuosas encontram numa vida de contemplação.

 Jean-Jacques Rousseau, in 'Devaneios de um Caminhante Solitário'

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre a ESCUTA ACTIVA



Porque este tema da ESCUTA ACTIVA é a base da Formação de um Agente de Ajuda, deixai-me parar também para, convosco, RE+flectir sobre este jeito de ESTAR COM o outro:

A ESCUTA é a melhor prenda que alguém pode dar a alguém. Há muitos "profissionais" (nomeadamente os da saúde) que estudam isto e passam a vida a repetí-lo. Só que... poucos fazem a experiência de que DAR / ESCUTAR NÃO É NEM VONTADE NEM INTENÇÃO... É UM DOM NATURAL DE QUEM É RICO. NUNCA UM POBRE PODE DAR COMO NUNCA UM RICO PODE DEIXAR DE O FAZER.

Escutamos como somos... Daí o grande desafio: ENRIQUECERMO-NOS para termos muito para dar, também no silêncio de uma boa ESCUTA ACTIVA.

E o lema do T.E. aponta para aí: CRESCER para ajudar; AJUDAR para crescer.

 
Abel Magalhães, Presidente do T.E. Portugal