terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Construtores da PAZ



Abriu-se a Arca de Natal. Foi ontem, na estação de S. Bento. Em nova edição – melhorada e aumentada!... Com um novo design, a branco e cor de salmão. Aquele já consagrado espaço turístico, ontem, hoje e amanhã, está a ser sobretudo um lugar de encontro e de festa. Porque o Natal, com suas Belezas Ignoradas, tem sempre o poder da magia divina que lhe está na origem – mesmo quando desconhecida por tantos.

Paro a contemplar aquele vasto recinto. Dentro do habitual bulício de uma estação de caminho de ferro, por onde passam diariamente 60.000 pessoas, hoje tudo está diferente. Tudo ali é cor. Música. Palco que promete animação. E encontro de gente que precisa de gente – para se sentir mais gente... Fazendo e desfazendo pequenos grupos, em frente a cada banca a representar uma Instituição Social, ali presente. A dizer à Cidade Invicta que, apesar da crise, a Solidariedade (como nova forma de dizer o Amor ao próximo) ainda não morreu. O Porto tem vida. E a Autarquia apareceu ali também, a dizer-se e a dizer-nos que a Paz vai correndo como um rio ... De mão para mão, em cada nova geração que chega a tomar a vez de quem parte. Dá gosto saber ler com o coração – que sempre vê mais longe do que os olhos... O homem, naturalmente, gosta de dar-se, comunicar-se, ser útil.

Chega o Zezinho que, nos anos 50 / 60, foi dos batatinhas da Casa do Gaiato de Paço de Sousa. Hoje é um avô derretido, a mostrar fotos de pinturas que já fez para o Natal dos netos. Traz um quadro a óleo, pintado por ele – para oferta ao T.E. A dizer que o tempo de reforma não tem der ser triste. Pode ser aproveitado para aprender coisas novas que dão vida à gente. Quer saber como se pode pertencer a esta Instituição. E partiu a consultar a esposa a ver se estão livres de compromissos para, na 4ª feira, pelas 20.00h, participar na Festa do nosso 3º Aniversário.

São tudo testemunhos de que Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. É uma questão de encontro... Homens que saibam sonhar os sonhos que Deus / o Amor sempre sonha – que o homem se construa para a relação de reciprocidade e comunhão amorosa. Essa que lhe dá essa Paz por que seu coração sempre anseia.

Apetece cantar: Vamos a correr, vamos a Belém... (que hoje virou Arca de Natal, na Estação de S. Bento). Para construir a Paz. Testemunhar que Ele está vivo. E a revelar-se em sempre novas formas de experimentar e de expressar a Vida.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

OS "COLIBRIS" DO T.E.




Ontem, no T.E., terminamos mais uma edição do Curso de Crescimento Pessoal – o nº 2 do Plano de Formação Integral de Agentes de Ajuda. Em termos de quantidade, foi um grupo bastante pequeno – 13 pessoas. A contrastar com a qualidade que cada um dos participantes foi revelando ao grupo, à medida que se iam desenrolando as palestras e as dinâmicas próprias deste Curso. Atingimos um nível de partilhas vivenciadas de um jeito tal que a todos comoveu. Realmente, a libertação dos “engulhos” que cada um traz dentro de si a impedir o seu desabrochar para a vida acaba sempre por se revelar a grande forma de dar mais vida às nossas pobres vivas - enclausuradas nas nossas histórias de sofrimento e dor.

Hoje, já em jeito de acção de graças por mais este passo dado pelo T.E., dei comigo a lembrar cada um dos que, com seu pequeno contributo, esteve na origem desta nova edição do Curso. Saltou-me, então, a lenda do colibri, (a mais pequenas das aves do Planeta em crise), que dá também pelo nome de beija-flor. Das diferentes versões que desta lenda já conheço, a que mais me encanta é esta:

A floresta deflagrou num incêndio incontrolável. Homens e animais, aflitos e desorientados, entraram em pânico a correr e a gritar em todas as direcções, não sabendo já que mais fazer. Só o colibri, atarefado mas sereno, parecia saber o que havia que fazer, naquelas circunstâncias: Ia a um charco de água onde o fogo ainda não era, mergulhava e vinha a correr onde o fogo parecia mais ameaçador. Aí, batia as asas, tentando atirar para o fogo o máximo de água que conseguia trazer.

Deus, comovido, ao ver todo aquele afã, ter-lhe-á perguntando: - Diz-me, colibri, será que tu acreditas que, com esse teu trabalho todo, vais conseguir apagar o fogo?!... Aida sem parar, o colibri respondeu: - Não, Senhor. Não. Mas nem penso nisso. O que eu devo a esta floresta, onde nasci e cresci, o que lhe devo é de tal ordem que não posso deixar de fazer o que está ao meu alcance fazer. Tenho vivido aqui momentos de verdadeiro encantamento e de acção de graças pelo dom que ela tem sido para todos nós. Com a Tua ajuda, Senhor, alguma coisa hei-de conseguir.

Olho o T.E. Revejo as nossas múltiplas actividades. Sei que uma Direcção, por muito competente que seja, jamais conseguirá acudir a este fogo de Amor por esses que, nunca tendo tido uma oportunidade para entrar num Curso de Crescimento Pessoal, sofrem porque, em cada crise, logo vêem morrer a Esperança em dias melhores.

O trabalho dos nossos colibris é indispensável. À vista de todos e/ou escondidos nos bastidores, eles estão lá. A fazer o seu papel. E é graças a eles que o Projecto T.E. está a avançar. Calmamente, mas a avançar.

Ao longo do Curso fui identificando alguns nomes, escondidos na cozinha, sob a capa do S. Martinho da São, ou na pomada do Vitor, o arroz da Mila, a sopa da Ana Teresa, a jeropiga do Abel, ... E outros, na sala e arredores: Elisa, Isabel, Teresa Oliveira, Rosa, Fernanda, Manela, Irene, Teo, ...

É-nos legítimo concluir que o T.E. não é mesmo dos que nele “mandam”... É sobretudo dos que muito o amam.


Abel Magalhães,
Presidente da Direcção do T.E. Portugal

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sobre a riqueza


"Proponho-me acusar a Revista “Fortune”, pois fui vítima de uma omissão inexplicável. É que publicou a lista dos homens mais ricos do planeta, e nessa lista eu não apareço. Aparecem sim, o sultão de Brunei, aparecem também os herdeiros da Sam Walton e de Takichiro Mori. Figuram também personalidades como a rainha Isabel de Inglaterra, Stravos Niarkos e os mexicanos Carlos Slim e Emílio Azcárraga.

Contudo, a revista não me menciona a mim.

E eu sou um homem rico, imensamente rico. Ora vejam vocês: tenho vida, que recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como.

Tenho uma família, uma mulher adorável que ao entregar-me a sua vida me deu o melhor da minha; filhos maravilhosos de quem não recebi senão felicidade; netos com os quais exerço uma nova e gozoza paternidade.

Tenho irmãos que são como meus amigos e amigos que são como meus irmãos.

Tenho gente que me ama com sinceridade apesar dos meus defeitos, e a quem amo com sinceridade apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores aos quais todos os dias agradeço porque lêem bem aquilo que escrevo mal.

Tenho uma casa, e nela muitos livros (a minha mulher diria que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Possuo um pedacito do mundo na forma de um pomar que todos os anos me dá maçãs que me recordam ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Tenho um cão que nunca vai dormir sem que eu chegue e me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Tenho olhos que vêem e ouvidos que ouvem, pés que caminham e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já tinham ocorrido a outros, mas que nunca me tinham ocorrido a mim.

Sou dono da comum herança dos homens: alegrias para disfrutas e tristezas para me tornar irmão dos que sofrem.

E tenho fé em Deus que guarda para mim infinito amor.

Pode haver maiores riquezas do que as minhas?

Então porque é a q revista “Fortune” não me colocou na lista de homens mais ricos do planeta?"



Armando Fuentes Aguirre (Catón), jornalista mexicano.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Cidade dos Poços, por Jorge Bucay


"Esta história representa para mim o símbolo da corrente que une as pessoas através da sabedoria dos contos. Contou-ma uma paciente que a tinha ouvido, por sua vez, da boca de um ser maravilhoso, o padre crioulo Mamerto Menapace. Assim como a reproduzo agora, ofereci-a uma noite a Marce e a Paula.

Aquela cidade não era habitada por pessoas, como todas as outras cidades do planeta.

Aquela cidade era habitada por poços. Poços vivos… mas afinal poços.

Os poços distinguiam-se entre si não somente pelo lugar onde estavam escavados, mas também pelo parapeito (a abertura que os ligava ao exterior).

Havia poços ricos e ostensivos com parapeitos de mármore e metais preciosos; poços humildes de tijolo e madeira, e outros mais pobres, simples buracos rasos que se abriam na terra.

A comunicação entre os habitantes da cidade fazia-se de parapeito em parapeito, e as notícias corriam rapidamente de ponta a ponta do povoado.

Um dia, chegou à cidade uma «moda» que certamente tinha nascido nalgum pequeno povoado humano.

A nova ideia assinalava que qualquer ser vivo que se prezasse deveria cuidar muito mais do interior do que do exterior. O importante não era o superficial, mas o conteúdo.

Foi assim que os poços começaram a encher-se de coisas.

Alguns enchiam-se de jóias, moedas de ouro e pedras preciosas. Outros, mais práticos, encheram-se de electrodomésticos e aparelhos mecânicos. Outros ainda optaram pela arte, e foram-se enchendo de pinturas, pianos de cauda e sofisticadas esculturas pós-modernas. Finalmente, os intelectuais encheram-se de livros, de manifestos ideológicos e de revistas especializadas.

O tempo passou.

A maioria dos poços encheu-se a tal ponto que já não podia conter mais nada.

Os poços não eram todos iguais, por isso, embora alguns se tenham conformado, outros pensaram no que teriam de fazer para continuar a meter coisas no seu interior…

Um deles foi o primeiro. Em vez de apertar o conteúdo, lembrou-se de aumentar a sua capacidade alargando-se.

Não passou muito tempo até que a ideia começasse a ser imitada. Todos os poços utilizavam grande parte das suas energias a alargar-se para criarem mais espaço no seu interior. Um poço, pequeno e afastado do centro da cidade, começou a ver os seus colegas que se alargavam desmedidamente. Ele pensou que se continuassem a alargar-se daquela maneira, dentro em pouco confundir-se-iam os parapeitos dos vários poços e cada um perderia a sua identidade…

Talvez a partir dessa ideia, ocorreu-lhe que outra maneira de aumentar a sua capacidade seria crescer, mas não em largura, antes em profundidade. Fazer-se mais fundo em vez de mais largo. Depressa se deu conta de que tudo o que tinha dentro dele lhe impedia a tarefa de aprofundar. Se quisesse ser mais profundo, seria necessário esvaziar-se de todo o conteúdo…

A princípio teve medo do vazio. Mas, quando viu que não havia outra possibilidade, depressa meteu mãos à obra.

Vazio de posses, o poço começou a tornar-se profundo, enquanto os outros se apoderavam das coisas das quais ele se tinha despojado…

Um dia, algo surpreendeu o poço que crescia para dentro. Dentro, muito no interior e muito no fundo… encontrou água!

Nunca antes nenhum outro poço tinha encontrado água.

O poço venceu a sua surpresa e começou a brincar com a água do fundo, humedecendo as suas paredes, salpicando o seu parapeito e, por último, atirando a água para fora.

A cidade nunca tinha sido regada a não ser pela chuva, que na verdade era bastante escassa. Por isso, a terra que estava à volta do poço, revitalizada pela água, começou a despertar.

As sementes das suas entranhas brotaram em forma de erva, de trevos, de flores e de hastezinhas delicadas que depois se transformaram em árvores…

A vida explodiu em cores à volta do poço afastado, ao qual começaram a chamar «o Vergel».

Todos lhe perguntavam como tinha conseguido aquele milagre.

— Não é nenhum milagre — respondeu o Vergel. — Deve procurar-se no interior, até ao fundo.

Muitos quiseram seguir o exemplo do Vergel, mas aborreceram-se da ideia quando se deram conta de que para serem mais profundos, se tinham de esvaziar. Continuaram a encher-se cada vez mais de coisas…

No outro extremo da cidade, outro poço decidiu correr também o risco de se esvaziar…
E também começou a escavar…
E também chegou à água…
E também salpicou até ao exterior criando um segundo oásis verde no povoado…
— Que vais fazer quando a água acabar? — perguntavam-lhe.
— Não sei o que se passará — respondia ele. — Mas, por agora, quanto mais água tiro, mais água há.

Passaram-se uns meses antes da grande descoberta.

Um dia, quase por acaso, os dois poços deram-se conta de que a água que tinham encontrado no fundo de si próprios era a mesma…
Que o mesmo rio subterrâneo que passava por um inundava a profundidade do outro.

Deram-se conta de que se abria para eles uma vida nova.

Não somente podiam comunicar um com o outro de parapeito em parapeito, superficialmente, como todos os outros, mas a busca também os tinha feito descobrir um novo e secreto ponto de contacto.
Tinham descoberto a comunicação profunda que somente conseguem aqueles que têm a coragem de se esvaziar de conteúdos e procurar no fundo do seu ser o que têm para dar…"


Jorge Bucay
Contos para pensar
Cascais, Editora Pergaminho, 2004

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs. R.I.P.

Um dia após a sua partida, prestamentos a nossa homenagem a este homem que deixou uma marca indelével no nosso mundo e que, acima de tudo, foi um pensador e comunicador de excelência. Que descanse em Paz.


"O teu tempo é limitado, por isso não o desperdices a viver a vida de outra pessoa. Não te deixes armadilhar pelos dogmas - que é a mesma coisa que viver pelos resultados do que outras pessoas pensaram. Não deixes que o ruído das opiniões dos outros saia da tua própria voz interior. E, mais importante ainda, tem a coragem de seguir o teu coração e a tua intuição. Estes já sabem, de alguma forma, aquilo em que tu verdadeiramente te vais tornar. Tudo o resto é secundário." - Steve Jobs ( 1955-2011) in Discurso em Stanford.