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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O Conhecimento de Si Mesmo


Ontem começou uma nova edição do Curso de Conhecimento de Si Mesmo – o primeiro do Programa Integral da Formação de Agentes de Ajuda. O grupo não é tão grande como gostávamos que fosse mas, somado a quantos já o precederam, conta-se já pelas centenas o número de pessoas que passaram pelo T.E. para se conhecerem melhor. Na mira de, algum dia, poderem ajudar outros a descobrir os seus tesouros escondidos.

Esta é a riqueza e a pobreza do T.E. Riqueza, porque ajuda a abrir portas que levam ao “tesouro” que enriquece a todos; pobreza, porque as portas do coração só se abrem a partir de dentro. E aí não há T.E. que chegue... Aí, cada um é que tem de fazer esse trabalho que ninguém mais pode fazer por ele.

Entretanto, se nos é permitido falar em saldo, podemos dizer que este trabalho voluntário de entrega a esta Causa do Outro é altamente compensatório. O entusiasmo que se respira, os testemunhos que se ouvem e os pequenos nadas que sempre acontecem num grupo destes falam bem alto. Falam de que as crises (...) se vencem bem com toda esta alegria partilhada.

Já antes de deitar, registei isto – para que não se perca: a) Houve gente que veio mesmo só para estar connosco, a acolher e dar força aos novos que vinham pela primeira vez. E vi-os de V. N. de Gaia, de Canelas e de Espinho. Bem hajam. É graças a estes contributos de cada um que o T.E. avança. b) Porque o jantar é feito do que cada um traz (o horário não permite mais), dá gosto ver até onde vai a generosidade e a arte de cada um se dividir para multiplicar... A mesa comum fala de que ainda há muitos que já sabem que ser eu é também ser outro...

Só este pormenor: Porque a noite era fria, um casal que já passou por esta experiência quis aparecer com os filhos e uma grande panela de sopa quentinha para todos.

Que forma linda de educar para o exercício da vida. Obrigado.

Abel Magalhães, Presidente da Direcção do T.E.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O Professor como Mestre


Para o nosso querido Abel Magalhães, presidente do T.E. Portugal, e hoje aniversariante, palavras de outro muito especial inspirador. Muitos Parabéns, Abel! :)) 

"[...]
A sua contribuição [do professor] terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala [...].

Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo."

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sobre a ESCUTA ACTIVA



Porque este tema da ESCUTA ACTIVA é a base da Formação de um Agente de Ajuda, deixai-me parar também para, convosco, RE+flectir sobre este jeito de ESTAR COM o outro:

A ESCUTA é a melhor prenda que alguém pode dar a alguém. Há muitos "profissionais" (nomeadamente os da saúde) que estudam isto e passam a vida a repetí-lo. Só que... poucos fazem a experiência de que DAR / ESCUTAR NÃO É NEM VONTADE NEM INTENÇÃO... É UM DOM NATURAL DE QUEM É RICO. NUNCA UM POBRE PODE DAR COMO NUNCA UM RICO PODE DEIXAR DE O FAZER.

Escutamos como somos... Daí o grande desafio: ENRIQUECERMO-NOS para termos muito para dar, também no silêncio de uma boa ESCUTA ACTIVA.

E o lema do T.E. aponta para aí: CRESCER para ajudar; AJUDAR para crescer.

 
Abel Magalhães, Presidente do T.E. Portugal